LITERATURA, MÚSICA, CINEMA, ATUALIDADES E OUTRAS DELÍCIAS...

16 de fevereiro de 2015

Na eterna incerteza de mim...



Por Loanda A. Olgado

Eu não sei ao certo...
Mas tudo ao redor me parece incerto,
Busco em mim a criança que fui,
Na facilidade da felicidade que flui,
Na eterna incerteza de mim...

A cada dia escrevo a minha história,
Na maioria das vezes sem glória,
Mas a cada passo,
Ganho mais firmeza no traço,
Na eterna incerteza de mim...

Vejo que o espelho da minha alma quer mostrar,
A verdade que os meus olhos tentou esconder e concentrar,
E mesmo com medo continuo meu caminho,
Desatando os nós do meu destino,
Na eterna incerteza de mim...

E busco assim apenas encontrar,
As notas que faz a minha alma vibrar,
Ajustando uma nova frequência,
Para sintonizar em uma nova Consciência,
Na eterna incerteza de mim...

E ao longo do caminho,
Encontro pedras, flores e espinhos,
Mas também amigos e amores,
Procurando viver fora dos bastidores,
Na eterna incerteza de mim...

E enquanto o verbo existir,
No Universo minha alma vai coexistir,
E mesmo sem saber quem verdadeiramente sou,
Basta saber onde estou,
Na eterna incerteza de mim...


10 de fevereiro de 2015

A Arte de Ser Feliz!




Por Cecília Meireles

"Houve um tempo em que minha janela se abria
sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.
Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco.
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada,
e o jardim parecia morto.
Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde,
e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.
Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.
E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor.
Outras vezes encontro nuvens espessas.
Avisto crianças que vão para a escola.
Pardais que pulam pelo muro.
Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais.
Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.
Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega.
Ás vezes, um galo canta.
Às vezes, um avião passa.
Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino.
E eu me sinto completamente feliz.
Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas,
que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem,
outros que só existem diante das minhas janelas, e outros,
finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim."